Começo a não querer que venha a noite. Procuro me cansar o máximo possível durante o dia, ocupando cada segundo. Passo pelo dia como uma formiga, trabalhando, fazendo o que tenho que fazer sem nunca me perguntar o por quê, me desviando dos obstáculos sem nem sequer olha-los. No entanto quando chega a noite e coloco minha cabeça no travesseiro, seria como se ele possuísse a magia de trazer a minha mente tudo que deixei adormecido durante o dia. Então percebo que passei o dia dormindo e que agora a noite devo ficar acordada. O travesseiro é como um justiceiro que não permite que se durma vinte e quatro horas, vem me dizer que devo pensar. E as noites se fazem longas e amargas, por isso evito minha cama e principalmente meu travesseiro. “Durma medo meu”, digo sempre, mas funciona apenas durante o dia. Não sei o que fiz e o que fazer com a minha vida, o que é real e o que é ilusão, o que é verdade e o que é imaginação. Queria voltar ao tempo em que tais questões não me incomodavam.
“Descobrir o verdadeiro sentido das coisas É querer saber demais”.
Me sinto vazia, fria, sozinha, perdida. Sempre fugi desses sentimentos, levei a vida como se não precisasse de mais nada além do que já tinha e de mais ninguém, eu me garantia. Mas a cada passo que dou eles se tornam mais fortes como se me cobrassem pelo tempo que os ignorei. Queria que entendessem que não sei lidar com eles, que não sei pedir ajuda, que não sei chorar.
Quando chega a noite não posso mais ignora-los, pois eles estão estampados em todos os lugares. A falta de luz que sinto se torna real. Por isso me abrigo sob as estrelas, elas são meu pequeno conforto, minha esperança.
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