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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Pontes





Ninguém pode construir em teu lugar

as pontes que precisarás passar,

para atravessar o rio da vida...

ninguém, exceto tu, só tu.

Existem, por certo, atalhos sem números,

e pontes,

e semi-deuses que se oferecerão

para levar-te além do rio;

Mas isso te custaria a tua própria pessoa;

Tu te hipotecarias e te perderias.

Existe no mundo um único caminho,

por onde só tu podes passar.

Onde leva?

Não perguntes, segue-o.


Nietzsche

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

Charles Chaplin
Há um medonho abismo, onde baqueia,
A impulsos das paixões a Humanidade;
Impera ali terrível Divindade,
Que de torvos ministros se rodeia.

Rubro facho a Discórdia ali meneia,
Que a mil cenas de horror dá claridade;
Com seus sócios, Traição, Mordacidade,
Range os dentes a Inveja escura e feia.

Vê-se a Morte cruel no punho alçando
O ferro de sanguento, ervado gume,
E a toda a Natureza ameaçando;

Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume...
Que estrondo!Que pavor!Que abismo infando!...
Mortais, não é o Inferno, é o Ciúme!

**Bocage**
Não se trata do que eu acho
Do passado ou dos retratos
Não me cabe o julgamento
Nem querer negar os fatos
Não se trata do que acham
Se agrada ou não agrada
Sou imune a pensamentos
E tão frágil as suas palavras
Não se trata de carência
De pensar na existência
Não se trata de verdades
Que escondem evidências
Se sorrir hoje é pecado
Sou meu próprio santuário
Não sou anjo ou ser alado
Mas voava ao seu lado
Não se trata de querer
De insistir ou de ceder
Trata-se de encarar
O que todos negam ver
Não se trata de sonhar
Pois sonhar me faz sofrer
Quando neles não mais vejo
Os resquícios de você
Não se trata de pensar
Nem tão pouco duvidar
Não trata de esquecer
Pois negar é se perder
Não se trata mais de tempo
Nem do tolo sentimento
Não se trata de você
Trata-se do meu momento.

Luan Emilio Faustino
Em torno de áurea colmeia

Amor adejava um dia;

E a mãozinha introduzindo

Húmidos favos colhia:



Abelha, mais forte que eu,

Porque de Amor não tem medo,

Eis do guloso menino

Castiga o furto num dedo.



Chupando o tenro dedinho

Entra Cupido a chorar;

E ao colo da mãe voando

Do insecto se vai queixar.



Vénus carinhosa, e bela,

Diz, amimando-o no peito:

«Desculpa o que te fizeram

Recordando o que tens feito.



«O ténue ferrão da abelha

Dói menos que teus farpões;

O que ela te fez no dedo

Fazes tu nos corações.»

Bocage

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Dois

















Dois...

Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...”
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

Pablo Neruda

A DANÇA













Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
.
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

Pablo Neruda

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A vida












Para os erros há perdão;
para os fracassos, chance;
para os amores impossíveis, tempo...

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e
acredite em você.

Gaste mais horas realizando que sonhando,
fazendo que planejando,
vivendo que esperando
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.

Fernando Pessoa















Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa









"É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sobra tanta falta

















Falta tanta coisa na minha janela
Como uma praia
Falta tanta coisa na memória
Como o rosto dela
Falta tanto tempo no relógio
Quanto uma semana
Sobra tanta falta de paciência
Que me desespero
Sobram tantas meias-verdades
Que guardo pra mim mesmo
Sobram tantos medos
Que nem me protejo mais
Sobra tanto espaço
Dentro do abraço
Falta tanta coisa pra dizer
Que nunca consigo

Sei lá,
Se o que me deu foi dado
Sei lá,
Se o que me deu já é meu
Sei lá,
Se o que me deu foi dado ou se é seu
Sei lá... sei lá... sei lá....
Se o que deu é meu...

Vai saber,
Se o que me deu , quem sabe?
Vai saber,
Quem souber me salve
Vai saber,
O que me deu, quem sabe?

Vai saber,
Quem souber me salve...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Demais












Todos acham que eu falo demais
E que eu ando bebendo demais
Que essa vida agitada
Não serve pra nada
Andar por aí
Bar em bar, bar em bar

Dizem até que ando rindo demais
E que eu conto anedotas demais
Que eu não largo o cigarro
E dirijo o meu carro
Correndo, chegando, no mesmo lugar

Ninguém sabe é que isso acontece porque
Vou passar toda a vida esquecendo você
E a razão por que vivo esses dias banais
É porque ando triste, ando triste demais

E é por isso que eu falo demais
É por isso que eu bebo demais
E a razão porque vivo essa vida
Agitada demais
É porque meu amor por você é imenso demais


Composição: Tom Jobim e Aloysio de Oliveira

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

QUERER










Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

Pablo Neruda