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quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Caminho da Vida

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.

A cobiça envenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódios... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e morticínios.

Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria.

Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco.

Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

Charles Chaplin
Há um medonho abismo, onde baqueia,
A impulsos das paixões a Humanidade;
Impera ali terrível Divindade,
Que de torvos ministros se rodeia.

Rubro facho a Discórdia ali meneia,
Que a mil cenas de horror dá claridade;
Com seus sócios, Traição, Mordacidade,
Range os dentes a Inveja escura e feia.

Vê-se a Morte cruel no punho alçando
O ferro de sanguento, ervado gume,
E a toda a Natureza ameaçando;

Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume...
Que estrondo!Que pavor!Que abismo infando!...
Mortais, não é o Inferno, é o Ciúme!

**Bocage**
Não se trata do que eu acho
Do passado ou dos retratos
Não me cabe o julgamento
Nem querer negar os fatos
Não se trata do que acham
Se agrada ou não agrada
Sou imune a pensamentos
E tão frágil as suas palavras
Não se trata de carência
De pensar na existência
Não se trata de verdades
Que escondem evidências
Se sorrir hoje é pecado
Sou meu próprio santuário
Não sou anjo ou ser alado
Mas voava ao seu lado
Não se trata de querer
De insistir ou de ceder
Trata-se de encarar
O que todos negam ver
Não se trata de sonhar
Pois sonhar me faz sofrer
Quando neles não mais vejo
Os resquícios de você
Não se trata de pensar
Nem tão pouco duvidar
Não trata de esquecer
Pois negar é se perder
Não se trata mais de tempo
Nem do tolo sentimento
Não se trata de você
Trata-se do meu momento.

Luan Emilio Faustino
Em torno de áurea colmeia

Amor adejava um dia;

E a mãozinha introduzindo

Húmidos favos colhia:



Abelha, mais forte que eu,

Porque de Amor não tem medo,

Eis do guloso menino

Castiga o furto num dedo.



Chupando o tenro dedinho

Entra Cupido a chorar;

E ao colo da mãe voando

Do insecto se vai queixar.



Vénus carinhosa, e bela,

Diz, amimando-o no peito:

«Desculpa o que te fizeram

Recordando o que tens feito.



«O ténue ferrão da abelha

Dói menos que teus farpões;

O que ela te fez no dedo

Fazes tu nos corações.»

Bocage