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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Há um medonho abismo, onde baqueia,
A impulsos das paixões a Humanidade;
Impera ali terrível Divindade,
Que de torvos ministros se rodeia.

Rubro facho a Discórdia ali meneia,
Que a mil cenas de horror dá claridade;
Com seus sócios, Traição, Mordacidade,
Range os dentes a Inveja escura e feia.

Vê-se a Morte cruel no punho alçando
O ferro de sanguento, ervado gume,
E a toda a Natureza ameaçando;

Vê-se arder, fumegar sulfúreo lume...
Que estrondo!Que pavor!Que abismo infando!...
Mortais, não é o Inferno, é o Ciúme!

**Bocage**

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